segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Messianismo em Alice

Esses são os doze passos do herói mítico, de acordo com Jaseph Campell:

1) Mundo Comum;

2) Chamado a aventura;

3) Recusa ao chamado;

4) Encontro com o mentor;

5) Travessia Umbral;

6) Testes, aliados e inimigos;

7) Aproximação do objetivo;

8) Provação máxima;

9) Conquista da recompensa;

10) Caminho de volta;

11) Depuração;

12) O retorno transformado.

Sou um admirador passivo da obra de Lewis Caroll, principalmente sua obra mais conhecida “Alice no País das Maravilhas”. Não me pareceu uma novidade quando o cineasta Tim Burton, conhecido por criar e recriar fabulas, se incumbiu da tarefa de readaptar o romance.

Ao assistir o filme não pude deixar de ficar assombrado. Não pela a fidelidade, (pois esta me parece uma constante nos filmes adaptados), mas exatamente pelo antagonismo do filme para com o livro.

Alice, o original de Caroll, é considerada uma celebre obra do gênero surrealista. Alice, uma garotinha, senta-se em uma arvore, quando percebe um coelho branco que a leva a sua toca, e ao cair é transportada ao tal país das maravilhas do titulo. A Alice da obra se encontra no meio de personagens dos mais pitorescos, como rosas cantoras, uma lagarta com vícios, um chapeleiro louco com sua lebre amiga (que por ter seus relógios quebrados na hora do chá não podem fazer nada além de beber chá), e a rainha incapaz de dizer algo alem de “cortem as cabeças”.

O livro é um manifesto sobre a necessidade, mesmo que na forma de sonho, do ser humano ter seu lado ilógico e inconsciente. Lewis usa os elementos e personagens para criar uma critica mordaz a sociedade. Claros exemplos são o chapeleiro e a lebre, incapazes de desobedecer a eterna hora do chá e comemorando o nada absoluto, ou mesmo a Rainha de Copas, numa alusão a rainha Maria Antonieta.

Os personagens de Caroll simplesmente são. Antigos Pré Socráticos diziam que a verdade de algo era esse algo em si. A verdade dos personagens do livro simplesmente é aquilo que eles são, e não precisam de vida pregressa ou explicações.

Ao assistir ao filme de Tim me deparei não só com um roteiro hollywoodiano clássico, como com um filme judaico-cristão messiânico. Calma, explico. O filme se passa anos depois da ida de Alice ao país das maravilhas, agora Alice é uma pós-adolescente que, por conta do pai, vê a “hipocrisia” do mundo (na minha opinião, nada mais adolescente). Enquanto a pequena Alice conversa com seu pai sobre a “loucura do mundo” o primeiro elemento do que será o roteiro clássico se anuncia: O mundo ideal para Alice, e para aonde ela vai querer e tentar retornar por todo o filme.

Em uma festa ela novamente encontra o coelho, e novamente encarna o país das maravilhas. Mas, algo é diferente nesse País das maravilhas, agora os personagens discutem a possibilidade de aquela ser a “verdadeira” Alice. Agora os personagens são lineares.

Eles, depois de várias discussões decidem levar Alice a um oráculo. Ai eu percebi que o que viria nada tinha haver com a obra que eu conheço. O oráculo/lagarta (o encontro do mestre) avisa que a “verdadeira” Alice deveria salvar o mundo do malvado dragão e da rainha vermelha. Vejo-me na necessidade do paralelo, Alice, como o próprio Jesus, foram anunciados como “escolhidos”. Jesus sabia desde pequeno a sua missão, e Alice sabia que ela teria que empunhar a espada contra o dragão malvado. Ai há a recusa, Alice diz que não mataria. Ela se recusa. Ai percebi, como os doze passos de Campell funcionam para o filme, de forma não inovadora. Eu já sabia o que esperar, no mal sentido da expressão. Sabia que Alice tentaria fazer algo que desafiaria o “destino”, mas o expectador nunca duvida de que ela é a escolhida. Ao ver o cachorro, a rainha Branca diz: “A espada está lá”. Juro ter tido um lapso de que tudo mudaria, mas não.

Assim os personagens se tornam, um há um, ajudantes da cruzada de Alice, o chapeleiro maluco vira um soldado ressentido, o coelho se torna um ressentido.... na verdade quase todos o fazem, até mesmo a rainha vermelha se torna uma invejosa da bela irmã. Na verdade, nesse sentido todos eles são reativos, no sentido dado por Nietzsche. Todos eles esperam a Alice prometida, sem nunca duvidar daquele pergaminho, sem jamais lutar. Todos são incapazes diante da vinda do messias, nesse caso Alice, todos sentam, esperam, e dizem: “Sem ela aqui, não podemos vencer... então pra que tentar?”. O que me é estranho, levando-se em conta Tim Burton é especialista em criar mundos contraditórios como, por exemplo, em “Peixe grande”, “Fantástica Fabrica de Chocolates” ou “Noiva Cadáver”. Nesse Alice, seus dois mundos agem da mesma forma, com a diferença de um ser mais colorido que outro.

Quando dentro da casinha do monstrinho, ao invés de lutar, Alice devolve o olho, com quem “da a outra face”. Alice reluta, e reluta, mas no fim acaba vestindo a armadura dourada e lutando contra o dragão-cobra (Cobra? Seria esse mais um paralelo?). Mesmo tendo dito o filme inteiro que não lutaria, Alice aprende a manejar a espada e parte pra cima dos malvados.

A linearidade do filme Alice é impactante. Só ela é capaz de qualquer ação no filme, e quando por fim ela escolhe o mundo “real”, ela acusa a “hipocrisia do mundo”, em uma clássica cena de superação. Por fim, o ultimo clichê, depois de escolher o seu “caminho” Alice vai rumo à liberdade, mas ao invés da salvação final vir do mar, ela surge do céu, na imagem da borboleta. Nada mais redentor do que isso.

O filme lida muito mais com a incapacidade de fugir do próprio destino do que de superá-lo, Alice aceita seu roteiro com todas as letras, de boa moça até a assassina de dragões. O filme prega isso tão claramente que escolhe o pergaminho como o oráculo da profecia, um algo que começa e termina na horizontal, algo que tem começo meio e fim. A metáfora perfeita para o próprio filme.

Alice de Tim Burton não é uma critica social, ou um filme sobre a nossa necessidade da incoerência. É um filme sobre um país, que apesar de belo, é habitado por criaturas reativas incapazes, sobre o destino maior que os personagens.

Mas... eu sei que será aclamado, pois é fácil se identificar com alguém que se prega sonhador, lúcido e bom no meio de um exercito de pessoas malvadas desde o primeiro frame.

Escrito por Murillo B. Martins

Bibliografia:

NIETZSCHE, W. F. Genealogia da moral: uma Polêmica. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

CAMPELL, Joseph. Herói de mil faces. Trad. Adail Umbirajara Sobral. São Paulo: Cutrix/pensamento.


terça-feira, 6 de abril de 2010

Crítica de Y Tu Mama También

O filme de Alfonso Cuarón se inicia com a separação de dois casais de namorados. Um típico casal de namorados e com as promessas do reencontro. Uma promessa que se mostra falsa mesmo pela ação dos dois jovens, Julio e Tenoch e também pelas namoradas no aeroporto. Eles seriam tidos como garotos “normais”. Ligados em mulheres, confusos quanto ao seu próprio destino, e amigos inseparáveis. Mas até que ponto o símbolo do normal pode ser colocado a um personagem? Ou a um ser humano?

Levando-se em conta o texto de Peter Pál Pelbart. Como esses garotos e os personagens secundários, que por vezes tomam a atenção da câmera e do público, podem se encontrar dentro de um sistema e ao mesmo tempo fora dele?

Em seu texto, Peter nos coloca o conto de Kafka, do imperador Chinês que constrói a grande muralha para se proteger dos nômades. No entanto os nômades já estavam dentro da muralha, que era seguimentada. Não é difícil fazer um paralelo com a sociedade atual, que desconstrói as suas barreiras para que novos elementos possam ser incrementados a padrões. Peter usa o termo “Formas de vida”.

No filme Os jovens Julio e Tenoch são tarados e procuram por substâncias que alteram o estado de consciência (bebidas e drogas). Que estão longe do politicamente correto, no entanto são incentivados por propagandas, eles consomem mais do que drogas e bebidas, consomem uma forma de vida. E pela imagem de “transgressão” das drogas. Há já uma forma de estar inserido dentro de um contexto, dos “excluídos” usuários de drogas, ao mesmo tempo em que os jovens transgressores são partes de algo. Eles absorvem maneiras de viver e sentidos de vida, consomem muita subjetividade além dos produtos que consomem.

Os jovens Julio e Tenoch podem ser comparados aos nômades do conto de kafka. Eles tem seus próprios hábitos e códigos de ética, ao mesmo tempo que estão inseridos no “Império” (o cotidiano e a vida dentro do México). Eles simplesmente não se importam com alguns do costumes a sua volta (a piscina, o uso de drogas e etc.). Isso fica ainda mais evidente quando eles vão à busca da irmã de Tenoch para buscar o carro. “Boinas” como era conhecida, se encontra no meio de uma manifestação, que são comuns do cotidiano Mexicano, de acordo com o filme. No entanto a razão da manifestação não é nem citada, e Julio e Tenoch simplesmente não se importam com isso.

Numa das cenas iniciais eles estão presos em um engarrafamento, e depois de xingar, eles dizem que deve ser mais uma manifestação, e eles simplesmente xingam a manifestação também. São nômades que não se importam com o contexto do império que ao mesmo tempo supre e exclui esses indivíduos, como no conto de kafka, eles falam línguas diferentes, independente das muralhas impostas.

O exemplo máximo disso é quando Eles estão numa festa promovida pelo pai de Tenoch, em que contaria com a presença do Presidente. No entanto eles ficam contando o número de seguranças e não ligam a mínima para o que está ocorrendo. Nessa festa eles encontram a mulher de Jano, Luisa. Ela parece deslocada nesse lugar, como os personagens principais. No entanto ela parece não querer demonstrar, isso fica mais ainda evidente com as falas do narrador: “Com freqüência, Luisa ia com Jano a jantares de artistas e intelectuais, onde nunca se sentiu integrada. Sempre tinha alguém com a boa intenção de incluí-la, ou a má de expô-la, que na metade de uma dissertação lhe passava a palavra. Com toda a modéstia sempre repôs: “não sei dessas coisas”. Muitas vezes, desejou exigir dos assistentes que recitassem o nome de todos os dentes em ordem. Nunca se atreveu.”

Os personagens de Julio e Tenoch não sabem disso, nós sabemos pelo narrador Onisciente e Onipresente. Ele vai contando as histórias pregressas e futuras dos personagens que vão surgindo ocasionalmente durante o filme.

Luisa aceita ir com os dois para uma viagem rumo a “Praia del Cielo”, uma praia tida como inexistente para os personagens principais, e é feito para que o próprio expectador a considere inexistente. Eles partem para rumo a uma praia indicada por Saba um amigo dos dois. No caminho ficam óbvias algumas particularidades dos dois amigos. Eles contavam histórias alegremente para uma ouvinte interessada. “Entre o muito que se esqueceu de mencionar estava como Julio ascendia fósforos para esconder o odor quando ia ao banheiro da casa de Tenoch ou como Tenoch levantava com o pé o assento do sanitário na casa de Julio. Eram detalhes que não tinham porque saber um do outro”. Mesmo sem esses conhecimentos o narrador da a entender que esses traços, faz com que a amizade dos dois pareça ainda mais forte.

Nesse ponto já se percebe que os amigos têm um código de ética, não só representado pelo “Código Charolastra”, mas pela convivência de ambos, como os bárbaros de Kafka.

Os personagens secundários do filme “E sua mãe Também”, tem um papel relevante. O narrador nos mostra suas histórias. Como por exemplo, o pedreiro morto porque a passarela ficava a dois quilômetros de distância da obra que é do outro lado da estrada. O México como um império, o próprio pedreiro se inclui como parte da construção social, e em sua morte ele demonstra as mazelas dela.

O fato de o filme trazer as histórias das imagens à tona nos coloca diante da fragilidade não só da vida, como das relações de emprego e de amizade. Tudo parece frágil e finito, durante todo o filme vemos isso, como cruzes no acostamento na estrada e as histórias que o narrador nos conta.

No texto de Peter Pàl Pelbart, ele cita o livro “Conversas com Kafka”: “Não vivemos num mundo destruído, vivemos num mundo transtornado. Tudo racha e estala como no equipamento de um veleiro destroçado”. Essa citação nos pareceu relevantes ao nível que, as relações do filme se mostram muito mais frágeis dos que nos parecem. O pedreiro morre, amizades inseparáveis que podem acabar, casamentos ruídos, promessas de amor eternas que descumprem.

Um filme que lida em si com finais. O fim próximo ou não, de amizades ou formas de vida (caso do pescador que tem de trabalhar em um hotel e deixar da pesca que era uma tradição de família). O Império que deveria prover a diversidade acaba por ruí-la.

No filme a sociedade nos parece caótica, com manifestações seguidas. Os personagens não dizem diretamente, e não se importam com isso. O Império não consegue manter a soberania e não parece haver muralhas para os personagens. Eles caminham em direção ao desconhecido, e se encontram com pessoas que vivem “formas de vida” que nos parecem mais excluídas que as suas próprias. Como a vendedora de souvenires que da um ursinho a Luisa, que era da sua neta, também Luisa. O narrador nos conta que ela morreu de insolação tentando entrar em outro país, procurando oportunidades. Essa senhora demonstra algo que é tido como a exclusão, a vendedora ambulante, a vendedora nômade, a senhora de idade, uma pessoa pobre financeiramente. Mas que procura a lembrança da própria neta. Essa vendedora esta fora do sistema, mas ajuda a mantê-lo. O sistema é tão nômade quanto ela, “O Império se Nomadizou”, Peter Pàl Pelbat. Ele se eleva e busca as pessoas, como diria Peter Pàl Pelbat.

Os finais de cada um dos personagens e das suas relações, insinuam desde o fim do namoro, a morte de Luisa e a separação dos amigos (possivelmente em nome de um código de ética do próprio sistema. (Inseridos e ao mesmo tempo excluídos dele). Luisa deixa uma mensagem sobre o tempo da espuma sobre água, Luisa: "A vida é como a espuma da praia, por isso devemos nos dar como o mar". Assim age o filme, o filme fala sobre os momentos que antecedem o “destroçar do veleiro”. O tempo antes da morte de Luisa, como ela sabia, e que nem o narrador nos avisa ou sabe. Os personagens estão dentro e fora de sistemas e sub-sistemas. Eles constroem as suas escolhas, baseados na suas predileções, até o momento que escolhem finais ou que eles se apresentem.

Os personagens se mostram no filme como nômades, o sistema também. Julio, Tenoch, Luisa e outros personagens, vão à busca de algo novo ou não, eles são um povo sem habitat fixo, sem uma forma de vida fixa, sempre em transformação cultural, onde suas leis, seus valores e quase tudo está sempre em transformação, por isso eu acredito que no fim do filme todos se separam. O filme fala de finais, de algo que já existe e se modifica, transforma em outra coisa, que pode ser o fim dela ou o início para algo novo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

PÁL PELBART, Peter. In: Biopolítica e Biopotência no coração do Império.2002.

Escrito por Osvaldo Luciano dos Reis e Murillo B. Martins

Pulp Fiction e a Decadência da Sociedade Americana

Um país que viveu várias guerras durante toda sua história e o único a lançar duas bombas atômicas, isso é resultado de um governo que deveria dar o bom exemplo para a população, mas acabou transformando essa população em uma sociedade com medo de todo tipo de ameaça.

O filme mostra essa decadência da sociedade americana. Um país povoado por pessoas que se matam por motivos banais, como os personagens Vincent e Jules. No momento em que eles matam os traidores de Marsellus no apartamento e quando estouram a cabeça do jovem dentro do carro. Eles não demonstram preocupação por terem matado o jovem, discutem apenas como eles vão limpar o carro. Tarantino mostra no filme que a vida não tem mais valor para a sociedade e que o único valor mostrado no filme é a auto-preservação que cada personagem/pessoa tem.

Os personagens não têm valores morais. Elas fazem tudo por dinheiro, são facilmente compradas e deixando de lado muitas vezes a honra e a tradição em função disto. Algo que não ocorre com o personagem Butch, que acaba vencendo a luta de boxe, em vez de perder como era o combinado com Marcellus, além disso, ele preserva a tradição do relógio de seu bisavô. A tradição de Guerra é mostrada no filme, quando o Capitão Koons entrega o relógio para Butch e conta toda a história do relógio e a sua importância para a família de Butch. Apesar de Tarantino fazer uma grande piada sobre onde foi guardado o relógio (no Anus), quando o Pai de Butch e o Capitão Konns estiveram presos, ele conta através dessa pequena historia do relógio, que resistiu a 1°, 2° Guerra e a Guerra do Vietnã. Uma possível explicação de como a sociedade americana chegou naquele estágio de desvalorização da vida, um país que tem sua história marcada por Guerras.

Jules é um personagem que acaba vendo um valor na vida no final do filme, quando o casal Pumpkin e Jody assalta o restaurante e pega a sua carteira, ele acaba os deixando ir embora e dá dinheiro a eles ao invés de matá-los. Talvez tenha os deixando ir apenas porque estava cansado daquela vida. Ele parece mudar após o “milagre”, cena em que Lance atira várias vezes e não acerta nenhum tiro nele e em Vincent.

Os imigrantes foram citados em algumas passagens do filme, como a mexicana que ajuda Butch e quando Pumpkin fala para Jody que os imigrantes não dão a mínima para o dinheiro do patrão no caso de um assalto. Imigrantes que de certa forma construíram os EUA e o mantém em funcionamento através da mão de obra barata, mas que são perseguidos pelos americanos.

Os únicos personagens que demonstram amor e preocupação entre eles são os assaltantes Pumpkin e Jody do inicio do filme e o casal Butch Coolidge e Fabienne, apesar dele debochar dela em alguns momentos do filme. Os outros personagens não demonstram amor ou mesmo preocupação entre eles. No filme não existe a imagem da família, existe apenas casais sem filhos ou mesmo filhos com apenas uma mãe ou pai como o personagem Butch, não ocorre como o filme O Poderoso Chefão que mostra a importância em proteger a família e o amor entre elas. Tarantino tentou mostrar como a sociedade se perdeu e chegou a essa decadência que está.

Escrito por Osvaldo Luciano dos Reis.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Avatar e a Nossa Preservação

Um homem é chamado para entrar em contato com os nativos para conseguir diplomaticamente expulsá-los de sua terra. História já batida que passa uma mensagem que as pessoas custam a praticar, pois sim, elas entendem. Durante os séculos o homem invadiu e destruiu quase todos os povos nativos e suas tradições, para explorar suas riquezas materiais e culturais. E impôs a sua própria tradição, mostrando aos nativos que só assim eles seriam dignos de conviverem com os invasores bárbaros ou mesmo seriam salvos.
Em Avatar ocorre o mesmo, o homem descobre um planeta chamado Pandora que tem um mineral muito valioso. Sem se importar com os nativos, o homem invade o planeta começa a explorar o mineral. Mas, para não ocorrer um massacre em uma guerra com os nativos chamados de Na’vi, que provavelmente custaria caro á empresa que explora o planeta, eles enviam pessoas que estão conectadas a “avatares” dos nativos. Híbridos humano-Na'vi geneticamente modificados. Um humano que compartilhe material genético com um Avatar é mentalmente ligado e pode se conectar através de conexões neurais que permitem o controle do corpo do Avatar. Assim eles se comunicam mais facilmente com o povo Na’vi através de seus avatares.
Mas claro, como nada é de graça, o exército e a empresa que explora o planeta tem idéias diferentes dos cientistas para o uso desses avatares. Como já dito, convencer o povo Na’vi a sair de sua terra. Durante o filme Jake vai aprendendo sobre a cultura Na’vi e se tornando um deles. Pra quem viu o filme sabe como é (sem paciênia para descrever a história).
O filme Avatar hoje tem um papel importante no cinema. Pois ele é totalmente rodado em 3D, que seria uma evolução do cinema, como o cinema sonoro nos anos 30. Mas o que mais é interessante é que o filme fala em preservar a natureza, suas culturas e seus povos. E a forma de se fazer o filme reforça ainda mais isso, pois, foi totalmente feito em 3D. Não é um filme que teve cenários gigantescos, milhões de figurinos, não destruiu nenhuma floresta ou paisagem (como em “A Praia”). Falou de preservação da vida, mas não somente no roteiro e sim na forma de conceber o filme.
É muito importante falar de preservação nos dias de hoje. Esse tema se parece com alguns livros chatos, que repetem a teoria diversas vezes. Mesmo assim as pessoas custam a entender. Seria preciso mil continuações de Avatar, para uma pessoa entender que, devemos preservar o meio ambiente. Pois como os Na’vi, estamos ligados a ele e se o planeta está morrendo nós também estamos.
Por isso me recuso a dizer que Avatar é somente um filme para o entretenimento. Não acredito que um filme não passe uma mensagem ou sentimento ao espectador. Como também que exista espectadores passivos, talvez um vegetal seja um espectador passivo, mas não um humano racional. Essa é apenas uma das mensagens do filme, que prega o amor entre as diferenças raciais, amor ao próximo e outros temas. Esse filme destrói com qualquer tipo de preconceito que possa existir em uma pessoa, claro se a pessoa for inteligente suficiente para entender que somos todos iguais e devemos nos amar assim como somos.
Por isso minha admiração ao diretor James Cameron. Todos os seus filmes tem algo de importante a dizer. Geralmente fala de amor, preservação de algo, futuro e o que devemos fazer para não destruir a nossa existência. Em todos os seus filmes eu saio mal do cinema, sempre refletindo sobre o tema abordado que nunca é animador, mas que de certa forma, é um aviso de que devemos fazer algo.
Escrito por Osvaldo Luciano dos reis.

sábado, 7 de março de 2009

Análise Crítica do Filme Adeus Lenin!


A mentira através da manipulação das imagens é um dos temas do filme Adeus Lenin! E é o qual irei trabalhar. Os personagens do filme são falsários do bem, pois todas as mentiras do filme são para fazer o bem á outra pessoa. Exceto a comemoração dos 40 anos da República Democrática da Alemanha (RDA ou DDR, Deutsche Demokratische Republik ou DDR), que é uma verdade falsa e prejudica a população com as proibições e a falta de liberdade em vários sentidos. Alex o personagem principal, manipula de uma forma excepcional as imagens de uma Alemanha Socialista falsa, que passa a fazer parte da realidade de sua família, afetando-os. Suas mentiras acabam fazendo parte de sua realidade, talvez por ser filho de “falsários”, sua mãe que mente para ele a vida toda sobre seu pai, muitas inverdades são contadas no filme fazendo uma metáfora com o próprio cinema, que é um criador de realidades, feito pelos maiores falsários, os cineastas, que sobrevivem contando mentiras, Orson Welles é uma prova disso.O filme se passa no último suspiro da extinta Alemanha Oriental (socialista), entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90, país dependente da extinta União Soviética. No filme, é mostrado através de cenas “reais” misturadas com cenas “fictícias”¹, a comemoração dos 40 anos da República Democrática da Alemanha (RDA ou DDR, Deutsche Demokratische Republik ou DDR). Nessas comemorações, são mostrados tanques, soldados, chefes de estado (Socialista), mostrando através das imagens um poder inexistente, de um país “forte”. A população como é mostrada no filme, não agüentam mais esse tipo de manipulação feita pelo governo, mostrando a satisfação e força que o país possuía, na verdade o país deixou de existir em apenas alguns meses após essas comemorações. Essas imagens que o mundo via dessa Alemanha era uma forma de poder, que com isso ficava difícil distinguir o real do falso, o povo “sabia” que aquilo era falso, mas não tinha como se manifestar contra, por haver uma grande repressão, por isso a queda do muro da discórdia e o anexo das Alemanhas ocorreu muito rápido. A Alemanha Oriental em conjunto com a União Soviética, foi responsável por enviar o cosmonauta Sigmund Jähn ao espaço, na época da Guerra Fria (Socialismo X Capitalismo). Jähn é o herói de Alex, ele alimenta o sonho de Alex de se tornar um cosmonauta e o sonho uma vida melhor, a busca de algo inatingível em um país que pouco pode fazer por ele (Alex). Mas esse herói, que foi á inspiração de Alex na sua infância e talvez na sua vida, perde a sua função de herói quando Alex o vê ao lado de um taxi, como um simples motorista. Todo aquele mito criado em torno de Sigmund Jähn acabou naquele momento, e ele se tornou um falso herói, uma simples ficção, como um personagem que habitava a mente de Alex em seus sonhos e suas lembranças, que podem de certa forma ser falsas já que o herói não existe mais.Christine Kerner (Mãe) é uma falsária junto com Alex, talvez mais que ele, pois ela mente sobre o pai de Alex², fazendo com que ele pense de uma forma que nunca pensaria sobre seu pai, caso a verdade fosse dita. Alex perdeu o seu amor por seu pai, mesmo quando sabe a verdade continua com o mesmo sentimento, após vários anos acreditando em uma mentira. Mentira que fez parte de sua vida e se tornou uma verdade para ele e sua irmã Ariane, Alex perdoou sua mãe, sabe que ela mentiu pelo mesmo motivo que ele mente para ela, por amor. Alex vê sua mãe como uma pessoa boa, que fez tudo aquilo para protegê-los e pelo amor que sente por eles, é o mesmo motivo que faz ele, mentir para ela sobre a queda do socialismo em seu país. Alex parece mentir para sua Mãe para protegê-la, mas não só por isso, para criar uma nova realidade do mundo que ele vive, para poder sentir algo que foi perdido, parece muito uma nostalgia que Alex quer fazer através da mentira para poder vivenciá-la novamente, ou mesmo para poder vivenciar algo que ele queria viver mas que lhe foi tirado. Alex tem uma visão de seu Pai (Robert Kerner), completamente influenciada por sua Mãe, quando Ariane diz a Alex que viu seu Pai no emprego, Burguer King, ele logo imagina um homem extremamente gordo sentado em uma piscina comendo hambúrguer como um porco. Ele tem uma visão ruim de seu pai, uma falsa visão construída pelo sentimento que sua Mãe o fez acreditar, caso ele soubesse a verdade seu sentimento e sua imaginação sobre esse pai que supostamente fugiu com outra mulher, seria completamente diferente. Uma inverdade pode mudar complemente a visão de uma pessoa sobre um assunto, como de Alex, essa inverdade é muito poderosa para que o use em outra pessoa, faz com que sua vida, sua opinião, seus valores mudem, mas essas mudanças dependerão da inverdade ou verdade contada àquela pessoa. Em uma cena Alex está com seus “irmãos” (filhos de seu Pai com outra mulher), assistindo João Pestana, onde ele é Astronauta, e seu Pai chega à sala e diz: Meus Ursinhos. Alex olha para seu Pai que senta no sofá, seu Pai descobre quem ele é, nesse momento ocorre o maior retorno ao passado do filme, ele vive algo que lhe foi tirado quando pequeno, a sua infância com seu Pai. É como se ele tivesse vivido aquilo com seu Pai, e estivesse relembrando, mas ele vive apenas naquele momento. Quando a Mãe de Alex fica em coma por 8 meses, cai o muro da discórdia e a Alemanha Oriental (Socialista) país onde ela reside, é anexada a Alemanha Ocidental e tudo o que ela acreditava passa a não existir mais. Alex descobre que sua Mãe não pode sofrer uma emoção forte, pois ela poderia sofrer outro ataque e vir a falecer. Alex decide levá-la para casa onde ela estaria segura, e não ficaria sabendo sobre o muro. Ele arruma sua casa exatamente como era antes dela ter o ataque, na sua casa Alex cria um mundo á parte, como ele mesmo diz: “A Alemanha Oriental criada para a Minha Mãe era a que eu havia sonhado”, todos ao redor começam a contribuir para a mentira de Alex, ajudando ele no que fosse necessário. Ele estava recriando um mundo não mais existente, criando da sua forma, mesmo que seja um mundo falso para todos que vêm de fora, é um mundo verdadeiro para sua mãe, para ele, pois eles vivenciam e acreditavam naquele mundo, que acabou se tornando parte de suas vidas. Criamos mundos onde vivemos, mundos que fazem parte da nossa “realidade”, Alex recriou um mundo para a sua Mãe, para o bem estar dela e até mesmo para ele. Em vários momentos do filme Alex se mostra um pouco nostálgico aquele mundo que agora não existe mais, ele quer viver junto com sua Mãe como na sua infância, onde eles sempre estavam juntos e um cuidava do outro, um tempo que se foi e que ele tenta recriar após ela sair do coma.Todos participam desse momento nostálgico de Alex, mesmo com algumas opiniões contra essa atitude de Alex, como de Ariane e Lara, Alex consegue criar e manter esse mundo novo em que sua Mãe está vivenciando. Alex acaba usando a mentira em vários momentos do filme, ele mente sobre o Pai de Lara, sobre o namorado de Ariane e em outros momentos, ele acaba criando um mundo “ideal” onde as pessoas são “melhores”, através da mentira e da inverdade. Esse mundo criado através de informações falsas prejudica a sua convivência em alguns momentos e também ajuda na convivência com sua mãe. Essas mentiras são muito parecidas com o que vivemos cotidianamente, mentimos para conseguir algo, usamos informações falsas ou que não são 100% verdadeiras para o mesmo motivo, não podemos saber até que ponto a mentira faz parte de nossas vidas, todos mentimos, até mesmo “o homem verídico é um falsário, já que oculta os motivos pelos quais quer o verdadeiro”³. Mas de certa forma aquele mundo criado por Alex, era um “mundo real”, sua casa muda após sua Mãe entrar em coma, mas quando ela volta, Alex arruma deixando como era antes. Pensando dessa forma é um mundo que já existia, mas que a partir daquele momento passou a ser diferente, o mundo ao redor mudou, mas Alex queria que seu pequeno planeta fosse o mesmo que antes, por isso não podemos dizer que esse mundo é falso e nem que é verdadeiro, é um mundo que pertence a essa dualidade. Denis é um falsário por natureza, ele sonha em ser diretor de cinema e ajuda Alex a criar essa nova Alemanha Oriental. Juntos eles criam vídeos que se confundem com a realidade, por usarem imagens reais e falsas, e informações reais e falsas para conseguirem manipular a imagem á seu favor. Eles recriam um jornal que passava na Alemanha oriental, no começo eles apenas passam reprises, mas depois aprendem a linguagem do jornal e passam a criar os seus próprios vídeos. Esses vídeos são uma metáfora com tudo o que se passa no filme e com o próprio cinema, são mentiras contadas de uma forma, que passamos a acreditar que aquele mundo possa existir. A manipulação de imagens que recebemos todos os dias na televisão são como essas imagens feitas por eles para dar mais realidade a esse falso mundo. A mentira deles é uma mentira impossível de ser contestada, pois o jornal tem a função de mostrar a “verdade”, é o que dizem, mas sua Mãe nunca imaginaria que Alex seria capaz de criar um jornal somente para ela, para omitir a informação de que o muro caiu. A manipulação de imagens através da mídia é algo que tem um poder muito grande sobre as pessoas, essas imagens podem mudar a opinião, mudar valores e ter vários efeitos sobre as pessoas que as vêem. O próprio filme Adeus Lênin! É feito de uma forma quase documental, com cenas reais e ficcionais juntas, que podem fazer um expectador pensar que aquilo foi real, não é, mas enquanto assistimos acreditamos fazer parte daquele mundo, que pode se tornar real a partir do momento em que acreditamos nele, as imagens não são a representação do REAL, me refiro a realidade pura, mas representam uma versão do REAL, um recorte de algo real.As mentiras no filme Adeus Lenin!, começam a ser reveladas no momento em que Alex encontra o picles Spreewald, que sua Mãe queria tanto. Alex passa o filme todo tentando achar um vidro vazio ou cheio desse picles, quando ele acha o vidro vazio na casa de Lara e dele, as verdades são reveladas. Sua Mãe revela a verdade sobre seu Pai, sua Mãe sai do quarto e vai até a rua e vê a nova Alemanha, mas ele consegue mentir de novo para ela. O picles Spreewald é o objeto das verdades e mentiras, tudo é revelado para todos, até mesmo sua Mãe descobre que não existe mais a Alemanha Oriental, pois Lara conta tudo a ela no hospital. Esse picles é como se fosse um ponto entre o real e o falso, enquanto Alex procura esse picles as mentiras de Alex dão certo, eles vivem nesse mundo falso onde tudo é possível. Mas quando Alex encontra esse picles as coisas começam a fugir de seu controle, as verdades são reveladas, tudo é revelado, e o mundo de possibilidades acaba. Alex revê seu pai, conhece o cosmonauta Sigmund Jähn e vê que ele não é aquele herói do passado, e por fim sua Mãe acaba falecendo e levando com ela esse mundo que ele havia sonhado. É como se fosse uma estrela que acabasse de morrer e levasse com ela os planetas, pequenos mundos que o rodeavam e que dependiam dela para poder sonhar e viver. O filme é uma aula sobre a vida, podemos aprender muito assistindo ele. Podemos perceber em até que ponto a verdade é falsa e o falso real, o filme é uma representação do “real”, apesar de ser uma ficção. Vivemos em um mundo criado por nós, um mundo que é diferente para todos, apesar de vivermos no mesmo mundo. Esse mundo falso ou real que criamos para nós, que pode parecer falso para outros, é o mundo que acreditamos fazer parte da nossa existência. As imagens mostradas no filme são imagens reais montadas com imagens fictícias, produzidas. Não sabemos até que ponto essas imagens fictícias, chamadas falsas, são realmente falsas. O mesmo podemos dizer sobre as imagens reais, que parecem tão falsas quanto ás fictícias, falsas pelo que elas representam, pelo que elas nos mostram e nos fazem refletir. O filme é feito de uma forma quase documental em alguns momentos, passando uma idéia falsa de realidade.² Christine Kerner diz a Alex e Ariane que seu pai fugiu com uma mulher Ocidental, algo que não é verdade, ele foi para o lado ocidental e esperou Christine ir com as crianças, o que não aconteceu. Christine não foi por medo de perder a guarda das crianças e mentiu para elas que seu pai tinha fugido, ela guardou essa mentira durante anos até que revelou a elas a verdade.³

DELEUZE, Gilles. Crítica e Clínica; tradução de Peter Pál Pelbart. São Paulo: Ed. 34, 1997.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

DELEUZE, Gilles. In: Imagem-Tempo: Cinema 2. Cap. 6: As Potências do Falso. p. 155-188. São Paulo: Brasiliense, 1990;COSTA DA SILVA, Josimey. In: Sobre o imaginário;TAVARES COSTA, Maria Teresa. In: A Potência do Simulacro;DELEUZE, Gilles. In: Crítica e Clínica. Tradução de Peter Pál Pelbart. São Paulo: Ed. 34, 1997.

Análise Crítica do Filme Os Narradores de Javé

JAVÉ E OS NARRADORES, NÃO ERA OS CONTADORES DE JAVÉ, ACHO QUE ERA OS JEVELIANOS NARRADORES, A TALVEZ SEJA NARRADORES DE JAVÉLICOS OU TESTEMUNHAS DE JAVÉ
Meu nome é Antônio Biá. E tenho uma história para contar a vocês, a história de um povo valente, um povo sofrido, que tem grandes histórias pra contar. A história se chama A Odisséia de Javé. Esta história se baseia em histórias contadas passadas para á historia escrita científica. Pois é na verdade que se baseia essa história, F for Fake, tudo que é contado é a partir de fatos reais, visto de maneiras diferentes. Chega de conversa e vamos começar.

Antônio Biá, eu, sou chamado para contar a grande história de Javé, história essa que o povo conta tornar essas histórias contadas, para história escrita, científica. A minha missão não é fácil, pois toda a história de Javé é de lembranças, invenções, mentiras, verdades. A invenção desse passado pode influenciar no futuro de Javé, uma “falsa” história, algo “não real", que se torna “real”, para os personagens que a contam e também para as personagens que ouvem. Esse tema de Narradores de Javé, é uma metáfora com toda a nossa história ocidental e oriental, não sabemos ao certo até que ponto, o que aprendemos na sala de aula é “real”. Os personagens das histórias se tornam mitos, cada vez que o mencionamos, a verdade é modificada, mesmo que na verdade, os fatos reais sejam diferentes, esses fatos que escutamos, se tornam reais, pois acreditamos neles, a partir desse momento é que uma mentira se torna real. Temos que saber até que ponto uma mentira é real? E até que ponto uma verdade é mentira? Isso ninguém pode responder é claro.
Na grande história de Javé, conhecemos os mitos, como Idalécio ou Idalício ou Idaléo e Maria Dina ou Oxum. Esses mitos foram criados a partir das histórias é claro, toda vez que alguém conta uma história em Javé ela é diferente, mas não é mentira, o povo sabe várias histórias do mesmo personagem, a partir desse momento é que nascem os mitos.
Toda vez que uma história cita um personagem, mesmo em histórias diferentes ou parecidas, o mito diante deste personagem se fortifica, se torna algo que não podemos explicar, algo que permanece na mente do povo e que mantém uma “vida” através de histórias, se torna um mito.
As histórias de Javé se tornam verdades a partir do momento em que são contadas e não questionadas. Como assim? Essas histórias são contadas de várias formas diferentes, mas que se parecem um pouco entre si. Se as histórias são falsas não sabemos, e não importa saber, o que importa é que a partir do momento em que alguém acredita nelas e as conta para outra pessoa elas passam a ser reais, passa a fazer parte da vida de uma pessoa, vida essa que carregará e irá garantir a vida dessas histórias. A própria história contada por Zaqueu pode ser falso, ele começa narrando a grande história de Javé, onde Antônio Biá, irá escrever de forma científica, as narrações, histórias contadas pelo povo, essa história que vimos no filme pode ser uma história “falsa” sobre a história de Javé, mas ela se torna “verdade”, pois acreditamos nela.
A mentira e a verdade são fontes de salvação, pois todas as histórias têm um pouco de cada uma delas. Não existe uma história verdadeira, uma história real, e sim fatos que a tornam reais. As mentiras se tornam reais e pode sim ser usado como fonte de salvação, para o bem e para o mal, no filme o povo de Javé quer usar a "mentira" ou a "verdade", para salvar a sua "cidade". Algo não alcançado, pois as histórias se confundem, cada um tem uma versão sobre as histórias da fundação da cidade, ficando difícil para Antônio Biá "escrever de forma científica", alguma história sem favorecer nenhuma das histórias contadas. São tantas histórias que elas foram feitas mesmo para ficarem na boca do povo, e para serem contadas através das gerações e não para ficar em um livro, como se fosse á única fonte da verdade sobre a grande história de Javé.
O grau de intensidade das várias "verdades" contadas sobre a mesma história, é impossível saber ou definir. Pois essas histórias não foram contadas para serem grandes verdades, e sim para serem contadas. Cada um da sua forma, do seu conhecimento sobre essa história, que unidas não formam uma só história, mas que separadas alcançam uma intensidade que formam diversas histórias "verdadeiras", interessantes sobre o mesmo assunto.
Concluindo, o filme Narradores de Javé, conta a história de um povo que gosta de contar histórias, verdadeiras ou falsas, histórias essas que mantêm uma tradição, que faz com que o povo as viva em suas mentes criativas. Mentes que são capazes de guardar por gerações uma tradição, uma história de sua origem, que mantêm esse povo unido por contarem a mesma história, cada um da sua forma e sua versão.
FIM DA ODISSÉIA DE JAVÉ – PRIMEIRA PARTE.
HAVERÁ CONTINUAÇÃO?
BIBLIOGRAFIA
A Imagem Tempo – (06) As Potências do Falso – Gilles Delleuze.


Análise Crítica do Filme Cidade Baixa

O filme cidade Baixa conta a história de Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) que se apaixonam por Karinna (Alice Braga), quando dão carona de barco para ela, para ir ate Salvador. Ambos fazem “amor” com ela durante a viagem, mas ambos amigos se apaixonam por ela após esta viagem. Na cena inicial onde eles a encontram na lanchonete e acabam oferecendo carona a ela, percebemos que o caminho dos três é ficarem juntos, pois o acaso os junta novamente, quando Naldinho é esfaqueado e eles estão tentando arrumar ajuda eles a encontram no meio do caminho, após esta cena ambos jovens vão ficar com ela durante todo o filme.Esses jovens se mostram durante todo o filme como pessoas sem um local fixo, eles se mostram nômades, isso é mostrado em Deco e Naldinho através do barco deles, que os levam para onde tem um frete, que seria como uma casa para eles. E isso é algo que eles procuram fugir durante o filme, pois Deco arranja um emprego como lutador de boxe e Naldinho que consegue uma casa para morar com Karinna, no final do filme os fazendo ficar na cidade, pois o filme termina com os três na casa de Naldinho.O mar nos indica algo, esse mar indica o espírito explorador desses jovens, que passam o filme todo fazendo coisas novas e mudando sua vidas. Como quando Naldinho faz o assalto na farmácia, quando eles acabam disputando Karinna durante todo o filme, mas principalmente na cena onde eles brigam, já que eles mesmos dizem que a amizade está acima de qualquer buceta. Karinna também acaba explorando algo, que é quando ela decide ficar com os dois e cuidar deles, ao invés de ir embora, em duas cenas ocorre isso, quando Naldinho foi esfaqueado ela deixa a sua carona ir embora para ajudá-los e no fim quando ela diz que vai embora com sua “amiga” para deixá-los. O mar também é mostrado como uma mudança, pois em vários momentos do filme é mostrado barcos, mar e quadros com cordas de nós de marinheiros, e quando aparecem essas cenas algo de bom ou ruim entre eles acontece. O barco Dany Boy de Deco e Naldinho, é onde eles acabam se apaixonando por ela, e em outras cenas eles acabam tendo relações, na casa de Naldinho onde eles acabam ficando juntos no final do filme existe um quadro de cordas de marinheiro, no navio onde elas estavam fazendo programa, Karinna finge um ataque e o marinheiro dá dinheiro a eles. E o momento ruim onde ela vê um marinheiro se matar no banheiro do navio onde ela estava fazendo o programa. E para finalizar, os personagens se mostram pessoas que estão afim de fazer de tudo para conseguirem seus objetivos em vários momentos podemos ver isso, quando Karinna aceita fazer um programa com eles por uma carona, na cena em que Naldinho aceita assaltar a farmácia para conseguir dinheiro e Deco que aceita a perder uma luta de boxe por dinheiro, e amizade de Deco e Naldinho que é abalada por esse sentimento que ambos sentem por Karinna.